"O som estalava a cada passo subindo em forma de vibração por seus ossos. Ele sentia o frio do que um dia fora quente e de sua boca saía um vapor remanescente de eras passadas. O local era colorido e vivo, mesmo que tudo estivesse quebrado, mesmo que cada passo estalasse sobre os cacos aos seus pés.
Olhar para trás trazia uma sensação estranha, os cacos pareciam refletir uma luz que não tinha origem e as vezes elas pulsavam e se apagavam. Não havia sol, não havia lua, mas havia luz própria.
Olhar para frente, por sua vez, era um contraste completo de formas abstratas e sem sentido, formas saindo do chão como estalactites brilhantes sendo abandonadas pelo caminho, antes mesmo de terem a chance de ver o mundo.
E ao passar por elas um suspiro pesava no peito, acolhido pelo estalar constante dos passos que pareciam tentar alcançar o que era para as mãos, de ver o que era para o coração e de sentir o que deveria ser ação.
A suave brisa levantava poeiras cristalinas que afagavam seu rosto, tocava sua pele e carregava um leve arrepio ao imaginar quais formas aquelas estalactites teriam se elas não fossem abandonadas antes mesmo de terem a chance de florescer, de ser.
Mas a sua caminhada eram tão lenta que a única sensação que ele tinha era a de estagnação. Ele olhava para trás e via aquele cemitério, via a vida que ali pulsava abandonada enquanto media seus passos olhando para um horizonte que não lhe pertencia.
Por uma fração de segundo, apenas por um breve momento, ele pensou no quão tragicamente belo era o caminho que ele percorrera. Não havia construído nada e tudo o que ele tocava se tornava cacos. Porém, eram cacos incríveis, coloridos, vivos, pavilhando um caminho desconhecido que logo voltava a trilhar e, mesmo sabendo que somente ele podia passar por ali, seus olhos continuavam presos no horizonte adiante.
Aquela era a sua maldição: ter um caminho lindo e aberto sendo construído sob o desejo de alçar um horizonte que o afastava cada vez mais de sua verdadeira fonte. Se ele ao menos soubesse...
Se ele ao menos soubesse que o seu horizonte estava ao alcance das mãos em forma de estalactites e que elas não eram geladas ao toque, ele abraçaria aquele cemitério de ideias e soltaria o suspiro preso no peito?"
~ Cemitérios de Ideias #Textosmórbidosdeumdiacinza #greyday ~a le Jx~
Música: La vida es rara - Alan Suton y las criaturitas mágicas
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Não sei se alguém ainda usa o blogspot, mas não faz muita diferença já que ninguém lê os meus textos, nem aqui e nem no instagram. Enfim, talvez os textos ficarão para a posteridade, um eco de que estive aqui, mesmo que eu mesmo me sinta um eco vagando. Mas escrever em um blog que ninguém lê tem os seus beneficios, afinal posso escrever o que eu quiser sem me preocupar em ser quem não sou, sem máscaras e principalmente se segurar os meus sentimentos. No entanto, escrever aqui também me traz muitas lembranças e nem todas são alegres. Bem, não é que elas sejam exatamente tristes, mas a nostalgia as vezes bate com força (e cá estou eu dizendo que posso escrever o que quiser e continuo me enganando com as palavras haha). Segue o texto que escrevi hoje, a música no final não era a música que estava durante a escrita, mas é de um artista que gosto muito. Estou cansado e não vou me preocupar com erros, vírgulas ou qualquer regra de escrita. Se alguém ler esse texto: Olá, bem-vindo à página que se chama Good Time mas que escreve sobre coisas tristes hahaha, recomendo colocar a música para tocar durante a leitura (só assim para conseguir ler e talvez apreciar). Ahhh, acho que gastei todo o meu drama antes mesmo do texto, foi mal :P (e eu sou milenial, orkut e msn na veia, então eu uso sim emoticon "dois pontos p) :P


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