terça-feira, 7 de maio de 2013

Nostalgia



“Uma pequena faísca de encontro à última folha da árvore, brinda o verão. O sol saúda os que adoram a luz, enquanto a noite sussurra desejos sombrios aos amantes da dor.”
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Quando o verão chegou trouxe consigo cheiros há muito esquecidos. Sentimentos antigos voltaram à superfície com furor denunciando a falsa calmaria. Um rosto antes calmo, um sorriso que um dia fora quente. Aquele cheiro de mel, doce, a levou de volta ao interior da floresta onde prometeu jamais retornar. Lágrimas inundaram seus olhos ao ver-se numa poça d’água. Era impressão sua ou podia ver o sangue escorrendo das árvores, como lágrimas?

De repente estava correndo, fugindo das sombras, buscando ar. Os galhos cortando-lhe a carne, deixando fatias de seu coração para as bestas em seu encalço. Pobre alma, naquele momento só pensava em fugir. “Não olhe para trás, não olhe para trás!” Mas era impossível evitar. Como não olhar para aquilo que te seguia, tão lindo, tão perfeito e de olhos tão cruéis?

O destino colocou uma raiz no meio do caminho. Uma sólida dor se espalhou pelo seu corpo, imobilizado pela queda. O cheiro era insuportável. Sim, odiava aquele odor, odiava o cheiro do próprio medo. Mas, o que se podia fazer? O que fazer além de gritar?

De boca aberta, as palavras não saíam. A força que fez foi tanta que achou estar ficando louca ao ouvir o som de sua risada.

Um arrepio percorreu sua espinha e acariciou as pontas de seu cabelo vermelho. Levantou, virou-se e contemplou a face de seu assassino.

(...) Um forte cheiro de cravo e canela lhe fez sair do transe e a trouxe de volta. Sentiu o gosto salgado das lágrimas em seus lábios ao deixar as flores caírem no chão. E ficou ali, olhando para aquele pedaço de pedra fria.
 ~ a le mode Jx #AllanCampos
Música que estava ouvindo ao escrever esse post:

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