“Uma pequena faísca de
encontro à última folha da árvore, brinda o verão. O sol saúda os que adoram a
luz, enquanto a noite sussurra desejos sombrios aos amantes da dor.”
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Quando o verão chegou trouxe
consigo cheiros há muito esquecidos. Sentimentos antigos voltaram à superfície com
furor denunciando a falsa calmaria. Um rosto antes calmo, um sorriso que um dia
fora quente. Aquele cheiro de mel, doce, a levou de volta ao interior da floresta
onde prometeu jamais retornar. Lágrimas inundaram seus olhos ao ver-se numa
poça d’água. Era impressão sua ou podia ver o sangue escorrendo das árvores,
como lágrimas?
De repente estava correndo,
fugindo das sombras, buscando ar. Os galhos cortando-lhe a carne, deixando
fatias de seu coração para as bestas em seu encalço. Pobre alma, naquele
momento só pensava em fugir. “Não olhe para trás, não olhe para trás!” Mas era
impossível evitar. Como não olhar para aquilo que te seguia, tão lindo, tão perfeito
e de olhos tão cruéis?
O destino colocou uma raiz
no meio do caminho. Uma sólida dor se espalhou pelo seu corpo, imobilizado pela
queda. O cheiro era insuportável. Sim, odiava aquele odor, odiava o cheiro do
próprio medo. Mas, o que se podia fazer? O que fazer além de gritar?
De boca aberta, as palavras
não saíam. A força que fez foi tanta que achou estar ficando louca ao ouvir o
som de sua risada.
Um arrepio percorreu sua
espinha e acariciou as pontas de seu cabelo vermelho. Levantou, virou-se e
contemplou a face de seu assassino.
(...) Um forte cheiro de
cravo e canela lhe fez sair do transe e a trouxe de volta. Sentiu o gosto salgado
das lágrimas em seus lábios ao deixar as flores caírem no chão. E ficou ali,
olhando para aquele pedaço de pedra fria.
~ a le mode Jx #AllanCampos
Música que estava ouvindo ao escrever esse post:

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