segunda-feira, 27 de julho de 2026

Cemitério de Ideia


"O som estalava a cada passo subindo em forma de vibração por seus ossos. Ele sentia o frio do que um dia fora quente e de sua boca saía um vapor remanescente de eras passadas. O local era colorido e vivo, mesmo que tudo estivesse quebrado, mesmo que cada passo estalasse sobre os cacos aos seus pés.

Olhar para trás trazia uma sensação estranha, os cacos pareciam refletir uma luz que não tinha origem e as vezes elas pulsavam e se apagavam. Não havia sol, não havia lua, mas havia luz própria.

Olhar para frente, por sua vez, era um contraste completo de formas abstratas e sem sentido, formas saindo do chão como estalactites brilhantes sendo abandonadas pelo caminho, antes mesmo de terem a chance de ver o mundo.

E ao passar por elas um suspiro pesava no peito, acolhido pelo estalar constante dos passos que pareciam tentar alcançar o que era para as mãos, de ver o que era para o coração e de sentir o que deveria ser ação.

A suave brisa levantava poeiras cristalinas que afagavam seu rosto, tocava sua pele e carregava um leve arrepio ao imaginar quais formas aquelas estalactites teriam se elas não fossem abandonadas antes mesmo de terem a chance de florescer, de ser.

Mas a sua caminhada eram tão lenta que a única sensação que ele tinha era a de estagnação. Ele olhava para trás e via aquele cemitério, via a vida que ali pulsava abandonada enquanto media seus passos olhando para um horizonte que não lhe pertencia.

Por uma fração de segundo, apenas por um breve momento, ele pensou no quão tragicamente belo era o caminho que ele percorrera. Não havia construído nada e tudo o que ele tocava se tornava cacos. Porém, eram cacos incríveis, coloridos, vivos, pavilhando um caminho desconhecido que logo voltava a trilhar e, mesmo sabendo que somente ele podia passar por ali, seus olhos continuavam presos no horizonte adiante.

Aquela era a sua maldição: ter um caminho lindo e aberto sendo construído sob o desejo de alçar um horizonte que o afastava cada vez mais de sua verdadeira fonte. Se ele ao menos soubesse...

Se ele ao menos soubesse que o seu horizonte estava ao alcance das mãos em forma de estalactites e que elas não eram geladas ao toque, ele abraçaria aquele cemitério de ideias e soltaria o suspiro preso no peito?"

~ Cemitérios de Ideias #Textosmórbidosdeumdiacinza #greyday ~a le Jx~

Música: La vida es rara - Alan Suton y las criaturitas mágicas
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Não sei se alguém ainda usa o blogspot, mas não faz muita diferença já que ninguém lê os meus textos, nem aqui e nem no instagram. Enfim, talvez os textos ficarão para a posteridade, um eco de que estive aqui, mesmo que eu mesmo me sinta um eco vagando. Mas escrever em um blog que ninguém lê tem os seus beneficios, afinal posso escrever o que eu quiser sem me preocupar em ser quem não sou, sem máscaras e principalmente se segurar os meus sentimentos. No entanto, escrever aqui também me traz muitas lembranças e nem todas são alegres. Bem, não é que elas sejam exatamente tristes, mas a nostalgia as vezes bate com força (e cá estou eu dizendo que posso escrever o que quiser e continuo me enganando com as palavras haha). Segue o texto que escrevi hoje, a música no final não era a música que estava durante a escrita, mas é de um artista que gosto muito. Estou cansado e não vou me preocupar com erros, vírgulas ou qualquer regra de escrita. Se alguém ler esse texto: Olá, bem-vindo à página que se chama Good Time mas que escreve sobre coisas tristes hahaha, recomendo colocar a música para tocar durante a leitura (só assim para conseguir ler e talvez apreciar). Ahhh, acho que gastei todo o meu drama antes mesmo do texto, foi mal :P (e eu sou milenial, orkut e msn na veia, então eu uso sim emoticon "dois pontos p) :P

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Gwlith Tragywyddol

 


As chamas dançavam guiadas pela brisa regente. Uma sinfonia de vozes crepitavam enquanto seu olhar se tornava vazio. Para ele, não havia mais nada ali. O fogo que um dia fora quente, agora lhe trazia uma frieza distante. Ele queria que suas memórias fossem queimadas pelas chamas e levadas pelo vento. Ele queria tanto, tanto, tanto...suspirar. Mas até suspirar era difícil naquele momento. Seus dedos congelavam e estava ficando cada vez mais escuro, ou era apenas uma impressão? Tudo estava tão distante. Por que ele não conseguia pensar direito? Estava tão frio! E ele queria tanto um abraço. Luzes em azul e vermelho pulsavam por trás de seus olhos...longe...longe...longe.


Suaves gotas de orvalho polvilharam o seu rosto, mas nada seria capaz de suavizar a dor que o frio eternizou em suas feições.

~ Da série: textos aleatórios que vem na mente e preciso escrever pra tirar da cabeça ~ 


Música que estava ouvindo ao escrever esse texto: Misplaced Among The Angels - Avantasia 

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Em outro lugar

Quanto tempo havia desde que aquele pensamento passou por ele? Parecia tão distante e ao mesmo tempo estava ali ao lado. Era incrível o quanto um simples pensamento podia alterar as cores ao seu redor. De repente tudo estava tão claro! As árvores brilhavam em tons gritantes de verde, o cheiro de pão recém assado se misturava com a terra molhada e ele quase podia sentir o sabor, se não fosse o sal das lágrimas escorrendo pelo rosto. 

Quanto tempo havia que ele não pensava em fazer aquilo? A brisa parecia sussurrar em seu ouvido aquelas palavras. O que elas diziam? Ele não queria ouvir, ele não queria compreender e, acima de tudo, ele não queria desejar ouvi-las. Não, não, não! 

Havia quanto tempo ele estava parado olhando para baixo? Tão distante, tão perto, tão acolhedor. 

Luz! Por que era tão difícil dar um passo? Tudo que ele precisava era dar um passo. 

Luz! A quanto tempo ele não pensava naquilo, quanto tempo, tempo, tempo... 

Luz! O que ele estava fazendo? O que ele precisava fazer? Ele não conseguia pensar. Um passo...só um passo. Por que era tão difícil escolher? 

Sussurros em seus ouvidos. Apenas um passo...tão longe, tão perto, tão...acolhedor.

 

sábado, 15 de março de 2014

Fantasmas Uivantes

Hoje o vento bateu forte no rosto e trouxe cheiros e gostos antigos, perdidos na imensidão. A sensação de perda engolfou em um abraço apertado e o afagar da neblina borrou o olhar em meio a uma lágrima perdida. A vida as vezes é tão efêmera e tem dias que o sorriso se esvai tão depressa. Quem disse que é fácil sorrir se esqueceu de como também é fácil chorar. E quem chorou ontem pode chorar hoje também.

A vida é passageira e, não importa a religião, a crença, nem os pré-conceitos, ela vai acabar, mais cedo ou mais tarde. A minha maior tristeza é que muitos morrerão sem saber o significado de viver. #Textosmórbidosdeumdiacinza #greyday ~a le Jx~

A música da vez:
Of Monsters and Men - King And Lionheart

terça-feira, 22 de outubro de 2013

The end? And, and, and...

...Somos frágeis e pequenos em um mundo gigante...


Ele se aproximou discretamente e sentou ao seu lado, debaixo da árvore. Ela, distraída como sempre, nem notou que estava acompanhada. Mudou a página do livro e continuou sua leitura. Ele fez o mesmo, absorvendo cada centímetros de sua pele.
O vento soprou forte, bagunçando seus cabelos e voltando as folhas. Ela correu os dedos pelo livro procurando a página perdida. Ao mesmo tempo, ele não resistiu ao ímpeto e folheou seus cabelos. Um arrepio percorreu seus dedos ao sentir a maciez daquelas páginas. Tantas histórias compartilhadas e tanto a se descobrir ainda.
Ela fechou o livro calmamente, triste e feliz com o fim da história. Uma lágrima escorreu dos seus olhos ao perceber que ele não estava mais ali, que ela precisava escrever um novo livro.

E ela levantou, alisou o vestido amassado e se foi, deixando-o sob a árvore onde juraram amor eterno. 
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Apenas uma música que ainda não cansei de ouvir:
Falling in love at a coffee shop - Landon Pigg

Solidão

A Flor desabrocha ao anoitecer. Ao ver o mundo pela primeira vez, sente a presença de um garoto solitário. A luz da lua captura o olhar do menino e flagra a lágrima que trilha seu rosto pequeno. O perfume da flor mistura-se com o aroma noturno e se perde no infinito. Caminhando solitária está uma jovem a procura do amor, os olhares se encontram. Dois jovens ansiosos para compartilhar sua história.
Ela estava tão feliz por compartilhar desse momento. O rapaz se abaixa e a colhe, seus dedos se tornam raízes. Para a jovem foi um presente. A lua presencia o amor e o terror. Para ela, o belo sempre será trágico! #Textosmórbidosdeumdiacinza ~ a mode le Jx

Apenas uma música qualquer:
A Ghost - Landon Pigg

sábado, 25 de maio de 2013

Super-herói



Resolvi partir. Dou adeus ao que ficou pra trás e sigo adiante. Caminhando pela cidade, de mochila nas costas é tudo que preciso. Sonho em ver a vida com novas cores e aprecio o voo dos pássaros em total liberdade.

Decidi que seria o super-herói de alguém, mas quem? Meus pés já não me obedecem e me vejo em lugares distantes. O desconhecido a frente, o medo sempre um passo atrás.

A paixão por coisas novas me contagia, o vento gelado força meus pulmões e grito de excitação. Depois de longos anos estagnados numa caixa de pedra, tudo o que preciso é de ar livre.

E depois de conhecer tantos lugares, descubro que não sou de ninguém. Não preciso de mais nada, só de um lugar para descansar meus pés enquanto minha alma feliz adormece sem arrependimentos.

PS: não fui grande, não fui forte, mas para minha mochila fui o melhor viajante. Um super-herói que venceu o tédio!

Música que estava ouvindo ao escrever esse post:
Matchbox Twenty - Crutch