sexta-feira, 10 de maio de 2013

Maré

 
Ah, o amor! Doce ilusão escorrendo pelos lábios daqueles jovens na praia. Deitados, com  a água do mar subindo lentamente na maré, molhando seus pés e refrescando o calor de seus corpos. Um vento forte percorreu os cabelos da jovem enquanto ela deixava o pescoço à mostra. 

Tão rápido quanto podia ser, a fúria se transformou em desejo, enquanto a maré acompanhava e subia, mais rápido e mais rápido. Em pouco tempo a pequena ilha deixaria de existir, em pouco tempo o mar esfriaria o calor da explosiva vida daquele lugar. 

Havia dois dias que o barco tinha quebrado. Havia dois dias que estavam no meio do nada. E naquele momento, o êxtase era tudo que importava. Suas vidas entrelaçadas estavam no auge quando o jovem desceu a mão maliciosamente. 

Ao terminarem, compartilharam o último cigarro. Com a água na cintura puseram a pensar em tudo que ocorrera nos últimos anos. A vida havia sido boa, não era justo que acabasse daquela forma.

Mas o mundo nunca fora justo com aqueles que não possuem sorte. Ao longe, um barco passou indiferente ao desespero daqueles dois.
Suas vozes se somaram em uma única prece, em um único pedido de socorro, mas o barco se perdeu no horizonte.

O sol foi engolido pelo mar, junto com dois jovens. No céu, duas estrelas cadentes passaram de leste a oeste. O mundo não era justo, mas para eles não importava mais. Estavam distantes dali.
Música que estava ouvindo ao escrever:
Paramore - Interlude: Moving On




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