domingo, 24 de março de 2013

Doce ingenuidade, doce sonho!



Imagine o som do mar, das águas se chocando nas pedras.
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Ele tinha nove anos quando resolveu fazer aquilo. Pegou uma caneta escondida e um pedaço de papel velho. Sabia escrever poucas palavras, então desenhou. Fez um sol atrás das nuvens e escreveu: chocolate quente.
Enrolou o papel e o pôs numa garrafa de vidro que roubou na cozinha. Depois de lacrar bem, lançou-a no mar. Como uma prece silenciosa, a garrafa foi levada daquele país gelado e navegou, navegou.
Quis o destino que tal mensagem fosse parar à beira de um pequeno barco de pesca. Família simples, menina educada. Ao encontrar a garrafa a garotinha de 7 anos saiu correndo, feliz, gritando pela mãe.
Seu pai havia saído para a guerra e esperavam ansiosamente por qualquer mensagem. Assim, mãe e filha abriram a garrafa e olharam, incrédulas, o pedaço de papel. Aquele papel velho, um pedaço de jornal, dizia por trás do desenho que havia um homem que procurava pela família. A guerra o tirou a memória e ele passava seus dias no pomar do hospital. A foto, mostrava apenas uma garotinha de 6 anos, sorridente, no colo de um homem de feições calmas.
Foi assim, que o destino trouxe a notícia àquela família que ele estava vivo. Foi assim que ela voltou a desejar a vida.
Quanto ao garoto que sonhava com sol e chocolate quente, morreu no dia seguinte. Pobre criança morreu de frio, mas talvez onde ele esteja faça sol e tenha nuvens de chantilly. 
~ a le AllanCampos  #caiforaJx

Música que estava ouvindo ao editar esse post:
Un Mar de estrellas - WarCry

2 comentários:

  1. Fiquei com vontade de chorar!
    Que texto tão cheio de sensibilidade *-*
    Adorei Allan ;*

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    1. Ahhhh, fico muito feliz que tenha gostado! =D
      Obrigado ^^

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