Fiz este Blog para 'escrever' o que vier na cabeça. Não pretendo ser genial e não posso garantir que não colocarei coisas idiotas aqui. Não sou o melhor humorista, nem o mais crítico. Mas sou sincero e posso surpreender muita gente.
Quanto tempo havia desde que aquele pensamento passou por ele? Parecia tão distante e ao mesmo tempo estava ali ao lado. Era incrível o quanto um simples pensamento podia alterar as cores ao seu redor. De repente tudo estava tão claro! As árvores brilhavam em tons gritantes de verde, o cheiro de pão recém assado se misturava com a terra molhada e ele quase podia sentir o sabor, se não fosse o sal das lágrimas escorrendo pelo rosto.
Quanto tempo havia que ele não pensava em fazer aquilo? A brisa parecia sussurrar em seu ouvido aquelas palavras. O que elas diziam? Ele não queria ouvir, ele não queria compreender e, acima de tudo, ele não queria desejar ouvi-las. Não, não, não!
Havia quanto tempo ele estava parado olhando para baixo? Tão distante, tão perto, tão acolhedor.
Luz! Por que era tão difícil dar um passo? Tudo que ele precisava era dar um passo.
Luz! A quanto tempo ele não pensava naquilo, quanto tempo, tempo, tempo...
Luz! O que ele estava fazendo? O que ele precisava fazer? Ele não conseguia pensar. Um passo...só um passo. Por que era tão difícil escolher?
Sussurros em seus ouvidos. Apenas um passo...tão longe, tão perto, tão...acolhedor.
Hoje o vento bateu forte no rosto e trouxe cheiros e gostos antigos, perdidos na imensidão. A sensação de perda engolfou em um abraço apertado e o afagar da neblina borrou o olhar em meio a uma lágrima perdida. A vida as vezes é tão efêmera e tem dias que o sorriso se esvai tão depressa. Quem disse que é fácil sorrir se esqueceu de como também é fácil chorar. E quem chorou ontem pode chorar hoje também.
A vida é passageira e, não importa a religião, a crença, nem os pré-conceitos, ela vai acabar, mais cedo ou mais tarde. A minha maior tristeza é que muitos morrerão sem saber o significado de viver. #Textosmórbidosdeumdiacinza #greyday ~a le Jx~
...Somos frágeis e pequenos em um mundo gigante...
Ele se aproximou
discretamente e sentou ao seu lado, debaixo da árvore. Ela, distraída como
sempre, nem notou que estava acompanhada. Mudou a página do livro e continuou
sua leitura. Ele fez o mesmo, absorvendo cada centímetros de sua pele.
O vento soprou forte,
bagunçando seus cabelos e voltando as folhas. Ela correu os dedos pelo livro
procurando a página perdida. Ao mesmo tempo, ele não resistiu ao ímpeto e
folheou seus cabelos. Um arrepio percorreu seus dedos ao sentir a maciez
daquelas páginas. Tantas histórias compartilhadas e tanto a se descobrir ainda.
Ela fechou o livro
calmamente, triste e feliz com o fim da história. Uma lágrima escorreu dos seus
olhos ao perceber que ele não estava mais ali, que ela precisava escrever um
novo livro.
E ela levantou, alisou o
vestido amassado e se foi, deixando-o sob a árvore onde juraram amor
eterno.
A Flor desabrocha ao
anoitecer. Ao ver o mundo pela primeira vez, sente a presença de um garoto
solitário. A luz da lua captura o olhar do menino e flagra a lágrima que trilha
seu rosto pequeno. O perfume da flor mistura-se com o aroma noturno e se perde
no infinito. Caminhando solitária está uma jovem a procura do amor, os olhares
se encontram. Dois jovens ansiosos para compartilhar sua história.
Ela
estava tão feliz por compartilhar desse momento. O rapaz se abaixa e a colhe,
seus dedos se tornam raízes. Para a jovem foi um presente. A lua presencia o
amor e o terror. Para ela, o belo sempre será trágico! #Textosmórbidosdeumdiacinza ~ a mode le Jx
Resolvi partir. Dou adeus ao
que ficou pra trás e sigo adiante. Caminhando pela cidade, de mochila nas
costas é tudo que preciso. Sonho em ver a vida com novas cores e aprecio o voo
dos pássaros em total liberdade.
Decidi que seria o super-herói
de alguém, mas quem? Meus pés já não me obedecem e me vejo em lugares
distantes. O desconhecido a frente, o medo sempre um passo atrás.
A paixão por coisas novas me
contagia, o vento gelado força meus pulmões e grito de excitação. Depois de longos
anos estagnados numa caixa de pedra, tudo o que preciso é de ar livre.
E depois de conhecer tantos
lugares, descubro que não sou de ninguém. Não preciso de mais nada, só de um lugar
para descansar meus pés enquanto minha alma feliz adormece sem arrependimentos.
PS: não fui grande, não fui
forte, mas para minha mochila fui o melhor viajante. Um super-herói que venceu
o tédio!
Ah, o amor! Doce ilusão escorrendo pelos lábios daqueles jovens na praia. Deitados, com a água do mar subindo lentamente na maré, molhando seus pés e refrescando o calor de seus corpos. Um vento forte percorreu os cabelos da jovem enquanto ela deixava o pescoço à mostra.
Tão rápido quanto podia ser, a fúria se transformou em desejo, enquanto a maré acompanhava e subia, mais rápido e mais rápido. Em pouco tempo a pequena ilha deixaria de existir, em pouco tempo o mar esfriaria o calor da explosiva vida daquele lugar.
Havia dois dias que o barco tinha quebrado. Havia dois dias que estavam no meio do nada. E naquele momento, o êxtase era tudo que importava. Suas vidas entrelaçadas estavam no auge quando o jovem desceu a mão maliciosamente.
Ao terminarem, compartilharam o último cigarro. Com a água na cintura puseram a pensar em tudo que ocorrera nos últimos anos. A vida havia sido boa, não era justo que acabasse daquela forma.
Mas o mundo nunca fora justo com aqueles que não possuem sorte. Ao longe, um barco passou indiferente ao desespero daqueles dois.
Suas vozes se somaram em uma única prece, em um único pedido de socorro, mas o barco se perdeu no horizonte.
O sol foi engolido pelo mar, junto com dois jovens. No céu, duas estrelas cadentes passaram de leste a oeste. O mundo não era justo, mas para eles não importava mais. Estavam distantes dali.
“Uma pequena faísca de
encontro à última folha da árvore, brinda o verão. O sol saúda os que adoram a
luz, enquanto a noite sussurra desejos sombrios aos amantes da dor.”
#
Quando o verão chegou trouxe
consigo cheiros há muito esquecidos. Sentimentos antigos voltaram à superfície com
furor denunciando a falsa calmaria. Um rosto antes calmo, um sorriso que um dia
fora quente. Aquele cheiro de mel, doce, a levou de volta ao interior da floresta
onde prometeu jamais retornar. Lágrimas inundaram seus olhos ao ver-se numa
poça d’água. Era impressão sua ou podia ver o sangue escorrendo das árvores,
como lágrimas?
De repente estava correndo,
fugindo das sombras, buscando ar. Os galhos cortando-lhe a carne, deixando
fatias de seu coração para as bestas em seu encalço. Pobre alma, naquele
momento só pensava em fugir. “Não olhe para trás, não olhe para trás!” Mas era
impossível evitar. Como não olhar para aquilo que te seguia, tão lindo, tão perfeito
e de olhos tão cruéis?
O destino colocou uma raiz
no meio do caminho. Uma sólida dor se espalhou pelo seu corpo, imobilizado pela
queda. O cheiro era insuportável. Sim, odiava aquele odor, odiava o cheiro do
próprio medo. Mas, o que se podia fazer? O que fazer além de gritar?
De boca aberta, as palavras
não saíam. A força que fez foi tanta que achou estar ficando louca ao ouvir o
som de sua risada.
Um arrepio percorreu sua
espinha e acariciou as pontas de seu cabelo vermelho. Levantou, virou-se e
contemplou a face de seu assassino.
(...) Um forte cheiro de
cravo e canela lhe fez sair do transe e a trouxe de volta. Sentiu o gosto salgado
das lágrimas em seus lábios ao deixar as flores caírem no chão. E ficou ali,
olhando para aquele pedaço de pedra fria.