terça-feira, 22 de outubro de 2013

The end? And, and, and...

...Somos frágeis e pequenos em um mundo gigante...


Ele se aproximou discretamente e sentou ao seu lado, debaixo da árvore. Ela, distraída como sempre, nem notou que estava acompanhada. Mudou a página do livro e continuou sua leitura. Ele fez o mesmo, absorvendo cada centímetros de sua pele.
O vento soprou forte, bagunçando seus cabelos e voltando as folhas. Ela correu os dedos pelo livro procurando a página perdida. Ao mesmo tempo, ele não resistiu ao ímpeto e folheou seus cabelos. Um arrepio percorreu seus dedos ao sentir a maciez daquelas páginas. Tantas histórias compartilhadas e tanto a se descobrir ainda.
Ela fechou o livro calmamente, triste e feliz com o fim da história. Uma lágrima escorreu dos seus olhos ao perceber que ele não estava mais ali, que ela precisava escrever um novo livro.

E ela levantou, alisou o vestido amassado e se foi, deixando-o sob a árvore onde juraram amor eterno. 
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Apenas uma música que ainda não cansei de ouvir:
Falling in love at a coffee shop - Landon Pigg

Solidão

A Flor desabrocha ao anoitecer. Ao ver o mundo pela primeira vez, sente a presença de um garoto solitário. A luz da lua captura o olhar do menino e flagra a lágrima que trilha seu rosto pequeno. O perfume da flor mistura-se com o aroma noturno e se perde no infinito. Caminhando solitária está uma jovem a procura do amor, os olhares se encontram. Dois jovens ansiosos para compartilhar sua história.
Ela estava tão feliz por compartilhar desse momento. O rapaz se abaixa e a colhe, seus dedos se tornam raízes. Para a jovem foi um presente. A lua presencia o amor e o terror. Para ela, o belo sempre será trágico! #Textosmórbidosdeumdiacinza ~ a mode le Jx

Apenas uma música qualquer:
A Ghost - Landon Pigg

sábado, 25 de maio de 2013

Super-herói



Resolvi partir. Dou adeus ao que ficou pra trás e sigo adiante. Caminhando pela cidade, de mochila nas costas é tudo que preciso. Sonho em ver a vida com novas cores e aprecio o voo dos pássaros em total liberdade.

Decidi que seria o super-herói de alguém, mas quem? Meus pés já não me obedecem e me vejo em lugares distantes. O desconhecido a frente, o medo sempre um passo atrás.

A paixão por coisas novas me contagia, o vento gelado força meus pulmões e grito de excitação. Depois de longos anos estagnados numa caixa de pedra, tudo o que preciso é de ar livre.

E depois de conhecer tantos lugares, descubro que não sou de ninguém. Não preciso de mais nada, só de um lugar para descansar meus pés enquanto minha alma feliz adormece sem arrependimentos.

PS: não fui grande, não fui forte, mas para minha mochila fui o melhor viajante. Um super-herói que venceu o tédio!

Música que estava ouvindo ao escrever esse post:
Matchbox Twenty - Crutch

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Maré

 
Ah, o amor! Doce ilusão escorrendo pelos lábios daqueles jovens na praia. Deitados, com  a água do mar subindo lentamente na maré, molhando seus pés e refrescando o calor de seus corpos. Um vento forte percorreu os cabelos da jovem enquanto ela deixava o pescoço à mostra. 

Tão rápido quanto podia ser, a fúria se transformou em desejo, enquanto a maré acompanhava e subia, mais rápido e mais rápido. Em pouco tempo a pequena ilha deixaria de existir, em pouco tempo o mar esfriaria o calor da explosiva vida daquele lugar. 

Havia dois dias que o barco tinha quebrado. Havia dois dias que estavam no meio do nada. E naquele momento, o êxtase era tudo que importava. Suas vidas entrelaçadas estavam no auge quando o jovem desceu a mão maliciosamente. 

Ao terminarem, compartilharam o último cigarro. Com a água na cintura puseram a pensar em tudo que ocorrera nos últimos anos. A vida havia sido boa, não era justo que acabasse daquela forma.

Mas o mundo nunca fora justo com aqueles que não possuem sorte. Ao longe, um barco passou indiferente ao desespero daqueles dois.
Suas vozes se somaram em uma única prece, em um único pedido de socorro, mas o barco se perdeu no horizonte.

O sol foi engolido pelo mar, junto com dois jovens. No céu, duas estrelas cadentes passaram de leste a oeste. O mundo não era justo, mas para eles não importava mais. Estavam distantes dali.
Música que estava ouvindo ao escrever:
Paramore - Interlude: Moving On




terça-feira, 7 de maio de 2013

Nostalgia



“Uma pequena faísca de encontro à última folha da árvore, brinda o verão. O sol saúda os que adoram a luz, enquanto a noite sussurra desejos sombrios aos amantes da dor.”
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Quando o verão chegou trouxe consigo cheiros há muito esquecidos. Sentimentos antigos voltaram à superfície com furor denunciando a falsa calmaria. Um rosto antes calmo, um sorriso que um dia fora quente. Aquele cheiro de mel, doce, a levou de volta ao interior da floresta onde prometeu jamais retornar. Lágrimas inundaram seus olhos ao ver-se numa poça d’água. Era impressão sua ou podia ver o sangue escorrendo das árvores, como lágrimas?

De repente estava correndo, fugindo das sombras, buscando ar. Os galhos cortando-lhe a carne, deixando fatias de seu coração para as bestas em seu encalço. Pobre alma, naquele momento só pensava em fugir. “Não olhe para trás, não olhe para trás!” Mas era impossível evitar. Como não olhar para aquilo que te seguia, tão lindo, tão perfeito e de olhos tão cruéis?

O destino colocou uma raiz no meio do caminho. Uma sólida dor se espalhou pelo seu corpo, imobilizado pela queda. O cheiro era insuportável. Sim, odiava aquele odor, odiava o cheiro do próprio medo. Mas, o que se podia fazer? O que fazer além de gritar?

De boca aberta, as palavras não saíam. A força que fez foi tanta que achou estar ficando louca ao ouvir o som de sua risada.

Um arrepio percorreu sua espinha e acariciou as pontas de seu cabelo vermelho. Levantou, virou-se e contemplou a face de seu assassino.

(...) Um forte cheiro de cravo e canela lhe fez sair do transe e a trouxe de volta. Sentiu o gosto salgado das lágrimas em seus lábios ao deixar as flores caírem no chão. E ficou ali, olhando para aquele pedaço de pedra fria.
 ~ a le mode Jx #AllanCampos
Música que estava ouvindo ao escrever esse post:

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Passado x Presente



É assim que as coisas são. Um dia você se descobre pensando no passado, tentando ver o que mudou e o quanto melhorou. Percebe que algumas coisas não mudam. Sente como se o principal continuasse ali, e teme que esse sentimento tenha se tornado uma "pedra no sapato". Sempre detestei pensar no passado. Pra mim, é o futuro que importa. Mas, ao se ver em um círculo vicioso, talvez seja necessário dar uma olhada lá atrás. Então, fecho os olhos e decido relembrar tudo, pensar em tudo: aquela música, aquela viagem, os amigos ausentes, as decepções, insônia...aquele sorriso, o filme, o livro, a declaração.

É, o tempo passa, algumas coisas mudam. É inevitável, muito do que existiu já não está mais aqui. E a pedra no sapato um dia vai se desgastar. Tenho certeza que até lá terei me tornado melhor do que jamais fui um dia.



sexta-feira, 29 de março de 2013

A 5-year-old winterheart


Meia noite e sete e já se foi um dia triste. Fica lá angustia, fica lá no ontem.
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É assim que é o dia, cada dia mais fraco, cada dia mais cinza. São tantas as coisas para se pensar e dizer e fazer e mover e tecer. Sem vírgulas, sim, sim, sim. Como fazer com a aranha que trabalha de noite, como parar com a teia que te enrola e faz sua mente se. Bem, se enrolar?



O Mundo precisa de mais amor, você precisa de paz, ele precisa de sorte, aquele ali necessita de compreensão. É por isso que o mundo não tem tempo para mais nada.



A força se esvai daqueles olhos azuis. Mas seus olhos são verdes e os meus serão cinzas, quando eu me for. Aquele olhar transborda transparência. Não me olhe, por favor, não me veja. Não posso contemplar sua face, não possuo a força para sustentar minhas palavras.

Não posso lhe negar seus desejos. Não posso me abster da dor. Sou seu, me destrua por dentro e eu farei o meu melhor pra que esse sorriso falso perpetue em meu rosto.
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É assim, que passo o meu dia. Fugindo do seu olhar, preso em pensamentos, lutando por liberdade, sentindo prazer na escravidão. Lutando e se agarrando à dor, pois a dor é a única coisa que me faz sentir que apesar de já não estar aqui eu sempre saberei onde te encontrar.

Escrevo-lhe, pela última vez, como em todas as outras vezes. Suplico-lhe que me abstenha da solidão, me encontro no mesmo lugar de sempre, no lugar onde as ondas do mar desmancharam meu castelo de areia e derribaram os esteios do meu coração.


~ uma leve brisa afaga o rosto e muda o curso da lágrima ~

Música que estava ouvindo ao escrever e editar esse post:

Birdy - People Help The People

~  a le AllanCampos #greyday
*tradução do título:  Um coração de um inverno de cinco anos