Hoje é dia 25 de julho, dia do escritor. Parabéns a todos que se dedicam a escrever por amor, profissão e/ou diversão. Acabo de escrever um conto, em homenagem a esse dia. Não é nada profissional, nada fenomenal, mas é meu e isso me deixa extremamente satisfeito. Um dia, talvez, chegarei ao patamar dos escritores renomados.
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Conto das Dezoito horas
Caminhava
rapidamente pela Avenida seis. Estava
atrasado para o jantar, eram quase 18 horas e faltavam tantas coisas para fazer:
comprar a carne para o churrasco, as velas para o bolo e embrulhar o presente
de vovó, que estaria completando 96 anos à meia noite. Sim, ela nasceu à meia
noite e um do dia seis de junho de 1916. Um número um tanto curioso, pensava
enquanto procurava um lugar para atravessar a avenida.
Estava
difícil encontrar uma brecha no trânsito para cruzar a rua e a faixa de
pedestres estava tão longe. Parei próximo a uma curva, ao lado de um homem, e
comecei a correr. Foi então que senti uma curiosidade mórbida por ele. Eu sabia
que vinha vindo um carro, sabia que estava no meio da avenida, mas parei e me
virei.
Ele
estava a dois metros de distância, me olhava de modo pouco agradável, também
parado. Naquele momento, o ar se dobrou e pude ver uma energia negra, sólida,
se aproximando. Me senti tonto, fraco. Pensei em correr, o som estava
distorcido, distante, e percebi uma freada brusca ao longe... longe. Senti
mãos, dedos finos, prendendo meus pulsos e me imobilizando. Tudo estava tão
escuro, não conseguia respirar. “Meu
Deus, o que é isso? Socorro.”
Como
uma sombra, algo passou pelo meu corpo, extasiado, de hálito podre e
deprimente. Rodeou-me com o desespero e a escuridão do abismo. Eu estava caindo? Então, quando pedi por
socorro, uma luz irradiou de mim. Minha alma foi puxada do corpo. Alguém estava
me ajudando ou a sombra estava se alimentando?
Fui
jogado ao alto e pude ver um corpo jogado ao chão, sendo socorrido por uma
mulher. O homem atravessou a rua e ficou ali, olhando, com raiva e
concentração. “Quem é aquele caído?”
Desespero surgiu quando descobri a verdade.
“Não, não, não, aquele não sou eu. Preciso
voltar. Estou morrendo.”
Me
lancei ao corpo, mas alguém muito forte me segurou e disse: NÃO! Ainda não. Ele está ali, a espreita, te
procurando. Se voltar agora será morto.
“Mas eu ESTOU morrendo!”
“Sim, mas existem dois tipos de mortes nesse
mundo. A pior delas é a que suga sua existência e te leva ao vazio. O homem, só
morre verdadeiramente quando é esquecido. Quando sua alma se perde, sua vida
para todos ao seu redor simplesmente deixa de existir. Nunca existiu.”
O
homem do outro lado da rua foi então andando devagar e começou a se distanciar.
Antes de virar a esquina, olhou para o corpo e sorriu. Seu sorriso era como
palavras sussurradas ao ar. Saaanguee.
Senti
um soco no estômago ao ser forçado a voltar ao meu corpo. Acordei e tudo que
pude sentir foi a dor lacerante no meu peito. Vomitei algo vermelho e olhei
para baixo, para meu tórax, e vi o presente de vovó, sem embrulho, metade
dentro de mim. Aquela imagem me emocionou, e a última coisa que vi foi uma
boneca de vidro partida e sangrando. Meu coração pulsou e parou.
Música que estava ouvindo ao publicar esse post:
Evanescence - Lithium