quarta-feira, 25 de julho de 2012

Conto das Dezoito horas


Hoje é dia 25 de julho, dia do escritor. Parabéns a todos que se dedicam a escrever por amor, profissão e/ou diversão. Acabo de escrever um conto, em homenagem a esse dia. Não é nada profissional, nada fenomenal, mas é meu e isso me deixa extremamente satisfeito. Um dia, talvez, chegarei ao patamar dos escritores renomados.
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Conto das Dezoito horas
Caminhava rapidamente pela Avenida seis.  Estava atrasado para o jantar, eram quase 18 horas e faltavam tantas coisas para fazer: comprar a carne para o churrasco, as velas para o bolo e embrulhar o presente de vovó, que estaria completando 96 anos à meia noite. Sim, ela nasceu à meia noite e um do dia seis de junho de 1916. Um número um tanto curioso, pensava enquanto procurava um lugar para atravessar a avenida.
Estava difícil encontrar uma brecha no trânsito para cruzar a rua e a faixa de pedestres estava tão longe. Parei próximo a uma curva, ao lado de um homem, e comecei a correr. Foi então que senti uma curiosidade mórbida por ele. Eu sabia que vinha vindo um carro, sabia que estava no meio da avenida, mas parei e me virei.
Ele estava a dois metros de distância, me olhava de modo pouco agradável, também parado. Naquele momento, o ar se dobrou e pude ver uma energia negra, sólida, se aproximando. Me senti tonto, fraco. Pensei em correr, o som estava distorcido, distante, e percebi uma freada brusca ao longe... longe. Senti mãos, dedos finos, prendendo meus pulsos e me imobilizando. Tudo estava tão escuro, não conseguia respirar. “Meu Deus, o que é isso? Socorro.
Como uma sombra, algo passou pelo meu corpo, extasiado, de hálito podre e deprimente. Rodeou-me com o desespero e a escuridão do abismo. Eu estava caindo? Então, quando pedi por socorro, uma luz irradiou de mim. Minha alma foi puxada do corpo. Alguém estava me ajudando ou a sombra estava se alimentando?
Fui jogado ao alto e pude ver um corpo jogado ao chão, sendo socorrido por uma mulher. O homem atravessou a rua e ficou ali, olhando, com raiva e concentração. “Quem é aquele caído?” Desespero surgiu quando descobri a verdade.
Não, não, não, aquele não sou eu. Preciso voltar. Estou morrendo.”
Me lancei ao corpo, mas alguém muito forte me segurou e disse: NÃO! Ainda não. Ele está ali, a espreita, te procurando. Se voltar agora será morto.
Mas eu ESTOU morrendo!
Sim, mas existem dois tipos de mortes nesse mundo. A pior delas é a que suga sua existência e te leva ao vazio. O homem, só morre verdadeiramente quando é esquecido. Quando sua alma se perde, sua vida para todos ao seu redor simplesmente deixa de existir. Nunca existiu.”
O homem do outro lado da rua foi então andando devagar e começou a se distanciar. Antes de virar a esquina, olhou para o corpo e sorriu. Seu sorriso era como palavras sussurradas ao ar. Saaanguee.
Senti um soco no estômago ao ser forçado a voltar ao meu corpo. Acordei e tudo que pude sentir foi a dor lacerante no meu peito. Vomitei algo vermelho e olhei para baixo, para meu tórax, e vi o presente de vovó, sem embrulho, metade dentro de mim. Aquela imagem me emocionou, e a última coisa que vi foi uma boneca de vidro partida e sangrando. Meu coração pulsou e parou. 

Música que estava ouvindo ao publicar esse post:

Evanescence - Lithium

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A lembrança mais forte!


Não resisti e volto a postar mais um trecho do meu livro:


Partimos de madrugada para a Capital. Estava um dia frio para os parâmetros de Mato Grosso, e curiosamente estava com muita neblina. A apenas 30 minutos da cidade comecei a me sentir mal. Cabeça doendo.
            “Espero que não seja nada de mais. Estou preocupada com esses pesadelos dele.” – pensou mamãe
            “Não acredito que aquele homem me fez tal proposta. Se o ver novamente irei chamar a polícia. Preciso proteger minha família a todo custo.” – esse era meu pai.
            _Pai, porque meu irmão não veio? – perguntei tentando afastar a dor.
            _Alguém precisava ficar em casa cui...
            Foi tudo muito rápido. Eu vi uma pessoa na neblina, minha cabeça explodiu em dor e gritei. Meu pai olhou para frente e freou bruscamente para não bater na mulher.
            “Sinto muito por isso, mas é necessário.” – disse/pensou Floor.
            _Lentää! Kohon! (Voe! Flutue!)
Minha mãe me olhou e tentou ir para trás do veículo numa tentativa de me abraçar. O carro começou então a pegar fogo e entrei em choque.
Por alguns segundos o carro subiu e foi levado para a beira do abismo que havia ao lado da estrada. Entrei em desespero. “Me ajude, alguém nos ajude.”
O carro foi lançado ao abismo enquanto meus pais gritavam.
Senti a dor lacerante em minha cabeça, em meu corpo. Tudo estava mudando, estava queimando. Minha pele começou a se romper, minhas veias, minhas artérias, meu sangue. “Eu sou humano?”
Olhei para meus pais mais uma vez e disse: amo vocês.
E enquanto abraçava minha mãe, houve a explosão.
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Música que estava ouvindo ao escrever este post:

Northern Kings - Creep (Radiohead Cover)