domingo, 27 de novembro de 2011

Passatempo

Gosto muito de escrever. Ainda falta muito o que aprender, mas me divirto com estórias que começo, mas dificilmente termino. Esse trecho é uma parte que escrevi já há algum tempo e pretendo colocá-la no meu livro (sim, estou escrevendo um livro):

SONHO


Adentrei numa mata escura, talvez por causa das árvores ou talvez por causa do início da noite. Descobri que ao meu lado estava meu amigo, mas ele pareceu não me notar. Olhei a mata, era seca, em tom de cinza e negro, e de certa forma sombria, mas calma. Senti uma presença próxima e vi uma pessoa, que não pude identificar se era mulher ou homem, andando mais adiante. Meu amigo estava estranho, e de repente sombras começaram a aparecer. Sombras de pessoas, só sombras, e elas eram mais escuras do que qualquer coisa que possa existir. Um vento gelado percorreu minhas costas e pude ver uma sombra se separar das outras e matar a pessoa que estava na mata. Meu amigo continuou imóvel, como se não tivesse me vendo, como se estivesse petrificado e acordei.
            Sai na rua, o sol me fez lembrar o sonho. As pessoas estavam agitadas e percebi que haviam descoberto um corpo na mata. Mas estranhamente logo se esqueceram disso e voltaram à suas vidinhas medíocres como se nada tivesse acontecido. “Talvez nada tenha acontecido e eu esteja enlouquecendo”, pensei.
            Resolvi dar uma volta, sentir o sol, pois me sentia como se estivesse preso no escuro por muito tempo. Parei e percebi que estava olhando para a mata, a mata onde estranhamente ninguém nunca entrava. Meu amigo estava ao meu lado e nossos olhares se encontraram. Entrei em transe enquanto uma onda de imagens corria pela minha mente. De repente todo o sonho que eu tive foi quebrado e o que era estranho ganhou sentido. As sombras se dissolveram e mostraram o que antes eu não quis ver: meu amigo pulando e matando aquela pessoa com as mãos. As suas mãos atravessaram o corpo daquela pessoa, uma mulher, e perfurou-lhe o pulmão.
            Respirei fundo e disse:
                        _ Você matou aquela mulher.
            Um olhar de espanto seguido de compreensão surgiu em seu rosto.
                        _Sim, matei. Então era você quem estava me olhando. Não pude te ver na hora, mas sabia que havia alguém. Teria te matado em seguida, mas sua presença sumiu com a morte. Como foi que você chegou aqui?
                        _Não sei, eu estava sonhando.
            Disse de forma simplória e tranqüila. Como se aquilo não me afetasse e como se fosse algo completamente normal, mas sabia que nada estava certo e que logo descobriria o motivo de estarmos adentrando a floresta.

Música que eu estava ouvindo ao escrever esse post:

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